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GESTÃO PARTICIPATIVA: a importância da família na escola

  • 8 de set. de 2016
  • 11 min de leitura

RESUMO

Este artigo trata-se de um relato de experiência sobre um trabalho desenvolvido com as famílias da Escola Parque Encantado. O objetivo foi criar situações didáticas que permitem a integração das famílias na escola, despertado assim, o interesse dos pais na vida escolar de seus filhos. A metodologia possibilitou o desenvolvimento de ações na escola como: visitas domiciliares, exposição de relatórios das atividades realizadas e confecção e entrega de panfletos. A experiência permitiu conhecer melhor as famílias e despertou o interesse dos pais em compreender a relação escola/família.

Palavras-chave: Escola, Família, Aprendizagem.

Abstract

This article is an experience report on a work with the families of the Enchanted Park School. The goal was to create teaching situations that allow the integration of families in school, so aroused the interest of parents in the school life of their children. The methodology enabled the development of actions at school such as home visits , reports of exposure of activities and preparation and pamphlets delivery. The experience has allowed better understand families and aroused the interest of parents in understanding the school / family relationship .

Keywords: School , Family , Learning.

INTRODUÇÃO

"Visão sem ação não passa de sonho".

Joel Baker

A Escola em sua ampla conjuntura de funções dos seus componentes permite a participação e existência de um profissional especificamente voltado a observar, direcionar e planejar coletivamente com a equipe e comunidade escolar quais ações são de fato relevantes para o sucesso do ensino-aprendizagem. Alguém que dentre outras finalidades seja capaz de informar-se e manter informada a sua equipe de trabalho fazendo com que sejam sempre intensificados os objetivos e metas da Instituição de ensino garantindo desde a sua objetividade à implementação de propostas educativas mais favoráveis

O gestor escolar democrático, exercer no espaço da autonomia que lhe foi conferida, seu papel de elemento-chave na orientação e gerenciamento dos resultados do desempenho escolares obtidos frente às ações devidamente planejadas pela equipe escolar. Na verdade, ele, no seu exercício específico de profissional articulador e mobilizador da equipe escolar, devem está continuamente vivenciando suas atividades intencionais sempre voltadas para a melhoria do andamento da escola.

Este trabalho consiste em um estudo de caso com base em um projeto de intervenção acerca da participação e atuação da família na Escola Municipal Letícia Carneiro de Sousa do município de São Sebastião do Tocantins. O trabalho teve duração de quatro meses. Para tanto se utilizou como suporte teórico necessário as pesquisa de Paro (2001) e Demo (2001) além de referências como LBD (1996), Libâneo (2001) Luck (2005) a fim de discutir melhor a questão da participação da família na escola. Na escola campo de pesquisa já se desenvolve um trabalho pedagógico desde 2009 e na atualidade trabalhamos na condição de coordenador (a), visto que esta pesquisa ajudará o desenvolvimento dos trabalhos à frente da mesma.

A gestão democrática, como política de gestão escolar, deve ser assumida pelas escolas como necessária ao trabalho pedagógico, visto que por meio da participação conjunta de pais, alunos e comunidade escolar, é que se pode construir um projeto escolar que de fato promova educação e aprendizagem.

Considerando-se que em nossa escola a participação das famílias ainda é pouca e que na escola campo, esta participação dificultava o trabalho da gestão, tomando ainda a gestão democrática como referência, é que se realizou a referida pesquisa acerca desta temática, na perspectiva de chamar as famílias para dentro da escola e perceberem como se desenvolve a educação de seus filhos.

Neste sentido, esta pesquisa se propõe a chamar atenção, sobretudo das famílias, para a necessidade de participação na escola e das atividades por ela desenvolvida, como forma de contribuir mais para com a educação de seus filhos, nossos alunos.

Portanto, o objetivo principal desta pesquisa é de possibilitar a participação das famílias na escola, oportunizando momentos de reflexão sobre a importância de seu papel nas atividades escolares dos alunos, que é parte integrante do PPP da escola, fazendo com que esta participação torne-se um meio facilitador do trabalho da gestão, aproximado assim, os pais à vida escolar de seus filhos.

A IMPORTÂNCIA DA FAMÍLIA NA ESCOLA

A família é a instituição primaz no que se refere à educação, pois é dela que se origina a base pedagógica do ato de aprender e da ação da educativa. É primeiramente na família que o individuo vivência, juntamente com os afetos e cuidados, o saber aprender, que logo depois vivência também nas instituições de ensino.

Neste sentido, o processo de educação escolar vem auxiliar e aliar-se ao processo de educação iniciado no seio da familiar, de modo que juntas Escola e Família resultam na garantia de uma prática educativa que de fato promova ensino e produza bons resultados na formação de cidadãos.

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Básica (LDB) de 1996 reconhece que “A educação abrange os processos formativos que se desenvolvem na vida familiar, na convivência humana (...) e nas movimentações culturais” (art. 1º da Lei 9394/1996). Evidenciando assim, legalmente a base familiar. Porém, um dos grandes desafios das instituições de ensino na atualidade no Brasil, refere-se exatamente, a pouca participação da comunidade, e, sobretudo das famílias, na gestão e nas etapas de ensino desenvolvidas nas escolas.

A relação gestão escolar e família têm perdido espaço, gerando com isto alguns problemas pedagógicos, dificultando o processo de ensino e de aprendizagem. Nas últimas décadas, tem se constatado que a família é muito importante para o aprendizado das crianças na escola e que sua ausência consequentemente gera problemas difíceis de serem sanados somente pela escola[1].

A partir dos anos 80, o movimento em favor da descentralização e da democratização das escolas públicas, encontrou grande apoio e incentivo, através das reformas educacionais e nas proposições do legislativo. A partir do reconhecimento da importância de democratiza a escola, tornando-a assim, participativa, é que se institucionaliza, sob a forma de leis, a participação de todos e principalmente da família na gestão e organização das escolas. E a consolidação dessas leis se efetiva quando em 1996 é aprovada a lei de diretrizes e bases da educação básica (lei nº 9394/96).

EDUCAÇÃO, DEVER DA FAMÍLIA E DO ESTADO

Educação é um projeto que não se desenvolve sozinho, é necessário o envolvimento de vários setores da sociedade civil, de forma a promover um melhor gerenciamento e direcionamento das fases do ensino e assim alcançar êxito no processo educativo.

Assim, a família é convidada a estar presente e inserida no contexto das instituições de ensino, pois se constitui de uma representação fundamental dessa participação da sociedade civil.

A Lei Diretrizes e Bases da Educação Básica (LDB), observando a importância dessa correlação família/escola, já prevê em seu artigo 2º que “A educação, dever da família e do estado (...) tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando (...) e sua qualificação para o trabalho” (LDB, 1996, p. 9) ou seja, os objetivos e finalidades da educação passam necessariamente pela presença e participação da instituição familiar.

Entretanto, não pretende-se com isto eximir a escola ou mesmo o estado de suas responsabilidades, mas ao contrário, tornar a escola mais eficaz e integral, sendo assim o lar, a continuação das etapas de ensino iniciais na escola. É com base nisto que Bettelheim (1988. p. 64) reconhece o quão importante e, para o bom desenvolvimento dos indivíduos, o bom relacionamento de pais e escola.

O ingrediente essencial para o êxito da maioria das crianças na escola e uma relação positiva com os e com o envolvimento deles em assuntos intelectuais. A criança deseja ter acesso a tudo o que é importante para os pais a quem ama; quer aprender mais sobre as coisas que significa tanto para eles.

Nesta perspectiva, conforme observamos acima, o que é de interesse e importante para os pais é de fato de referência e relevância para os filhos e assim motivação escolar.

Para Libanêo (2004) a participação dos pais na escola se dá através da inserção necessária dos mesmos, nos movimentos orgânicos e de legitimidade legais da comunidade escolar, como os conselhos escolares ou associações de pais.

A presença da comunidade na escola, especialmente dos pais, tem várias implicações. Prioritariamente, os pais e outros representantes participam do conselho de escola, da associação de pais e mestre (ou organizações correlatas) para preparar o projeto pedagógico-curricular e acompanhar e avaliar a qualidade dos serviços prestados. (LIBÂNEO, 2004 pag. 144)

Observamos que Libâneo (idem) acrescenta outros elementos à discussão acerca da participação familiar na escola para o autor além do suporte no auxilio e desenvolvimento do ensino, os pais também são chamados a contribuírem na construção de uma proposta pedagógica, no acompanhamento e na avaliação das ações desenvolvidas na unidade escolar.

A necessidade desse trabalho conjunto escola e família têm em vista ainda que assim procedendo, os bons resultados são inevitáveis no processo de ensino. Além disso, a participação familiar corresponde aos ideais pedagógicos da gestão democrática participativa e na compreensão que, o trabalho coletivo, especialmente na unidade escolar, tende a ser muito proveitoso, pois resulta de uma reflexão conjunta, onde a possibilidade de errar é muito menor se comparada à escola quando trabalha sozinha.

Desta forma, os conselhos escolares, bem como as associações de pais e mestre e/ou outras organizações equivalentes, representam a garantia de práticas pedagógicas que têm a capacidade de realizar um bom processo de ensino e de aprendizagem.

A escola que caminha sem estes agentes correlatos do ensino, sem dúvida apresenta problemas na executibilidade e sustentabilidade de suas ações pedagógicas e certamente garantem falhas na educação das crianças. Deste problema conjunto é que surgem vários outros entraves como a indisciplina, dificuldades de aprendizagem, timidez, etc.

O TRABALHO DE CAMPO E A PESQUISA REALIZADA

Para a realização desta pesquisa, tomamos como modelo de análise a Escola Parque Encantado, do Distrito Federal. A referida escola foi fundada no dia 25 de abril/1982 tendo, portanto 33 anos de trabalho pedagógico. É a única escola particular de Brasília, Distrito Federal , atendendo assim, a alunos da classe A e B. Está localizada na região nobre.

A escola atende a alunos de Educação Infantil e Ensino Fundamental de 1º ao 5º ano, nos turnos dos matutino e vespertino, possui uma infra-estrutura física de corresponda ao seu projeto pedagógico, pois não possui playground, quadra de esportes para o desenvolvimento de atividades esportivas e culturais, biblioteca refeitório e área de lazer apropriada.

A partir de 2015 tomamos à frente da direção da referida escola na qual se observou vários problemas que se agravavam, sobretudo pelas dificuldades de relação entre Família/Escola, pois ambas não encontravam um ritmo de sincronismo necessário à prática pedagógica. Nesta escola percebeu-se que a família se mantinha distante ou mesmo ausente da vida escolar dos filhos, trazendo com isto, uma série de problemas relacionados à aprendizagem.

Neste sentido, procurou-se promover na referida escola, ações que pudessem resgatar dos pais a importância de está presente na vida escolar dos filhos, e ainda assim colaborar com a comunidade escolar no gerenciamento e desenvolvimento de suas atividades educativas. E como ação prática promoveu a reestruturação do PPP com a ajuda dos pais e responsáveis.

Para o desenvolvimento deste trabalho os pais e responsáveis pelas crianças matriculadas na escola foram convocados à unidade escolar de modo que realizamos quatro grandes reuniões no decorrer de três meses, das quais tivemos uma significativa participação dos mesmos, totalizando 74,6% dos pais. Além disso, realizamos debates sobre o PPP, palestras, oficinas, visitas domiciliares, confecção de panfletos para incentivar a participação da família na escola, distribuição dos panfletos e por ultimo uma exposição de relatórios das atividades, totalizando quatro meses de trabalho de intervenção.

A partir desses encontros com os pais colocou-se em questão o problema a ser discutido e a sua necessidade de superação, como forma de melhorar e qualificar a aprendizagem dos alunos, colocando como pressuposto fundamental a necessidade de sua participação e de seu envolvimento nas ações a serem desenvolvidas pela escola.

Todas essas atividades tiveram como objetivo principal chamar atenção dos pais e responsáveis para a necessidade do empenho familiar na caminhada escolar de seus filhos e o quanto a comunidade escolar necessita de apoio para o cumprimento de suas atividades educativas.

A partir dessas atividades observou-se que houve uma significativa melhora no que se refere à participação dos pais na vida escolar dos filhos e no cotidiano da escola. Como incentivo a esta participação criou-se, na escola, o caderno de visitas, onde se registra a presença dos pais a cada nova visita, e como retribuição a esta participação na escola, os pais que mais tiverem visitas a escola.

Outra ação desenvolvida com os pais foram as oficinas. Destas, pode-se destacar a oficina doce, onde a ideia inicial era que os pais escolhessem receitas caseiras de doces e que as trouxessem para uma de nossas reuniões que foram marcadas. Após todos estarem reunidos, selecionamos a melhor receita na opinião dos pais ali reunidos. Como experiência final, percebeu-se que as famílias inicialmente participaram de forma um pouco tímida, mas que logo depois, tornou-se um grande momento de interação.

Os debates, também tiveram grande participação das famílias, visto que todas as discussões tiveram como foco principal assuntos relacionados à educação de seus filhos, assuntos dos quais todos puderam falar e opinar. Como resultado, tivemos grandes debates.

Com o desenvolvimento deste trabalho percebe-se um maior empenho familiar e um maior interesse pelas discussões promovidas pela escola. A cada nova convocação de reunião na escola, observar-se, o empenho em participar e o interesse em querer saber do desempenho dos filhos na escola por parte dos pais.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A educação no seu contexto compõe-se de princípios normativos viabilizadores para o desenvolvimento psico-sóciocultural e econômico do educando. Educar exige muito mais que conhecimento demasiado dos conteúdos curriculares exige em maior instância segurança, compromisso e afinidade do educador, assim como o reconhecimento das habilidades do educando como meio de priorizar um ensino mais consistente.

Tendo como perfil idealizador à construção de uma nova visão a respeito de uma educação de qualidade, é correto afirmar que o presente trabalho trouxe contribuições significativas à nossa formação pessoal e profissional. Saber que tais pesquisas, leituras e debates realizados foram bem-vindos ao seio escolar onde se desenvolveram as observações das experiências da escola e família tornou-se cada vez mais gratificante, sendo esta uma análise definida pela escola acolhedora diante da intervenção e auto prática.

Quando a escola e a família conseguem manter uma relação de parceria harmônica sem perder de vista o melhor desempenho do filho/educando. Fazem-se laços de conquista, significados e estimulo natural indispensável à vida do educando. Embora se descubra que na escola-campo onde se realizou a intervenção ainda falta muito para que de fato se concretize a ideia de Gestão Democrática e participativa como um todo. A todo o momento percebeu-se o envolvimento de grande parte das famílias nas atividades propostas.

O sucesso das etapas desenvolvidas no decorrer deste trabalho trouxe novas perspectivas para visão da escola a respeito da atuação familiar e da família para com o meio escolar uma vez que estabelecidas a necessidades do vinculo família/escola/escola/família passou-se a verificar um maior comprometimento de ambas em relação ao educando. Embora, este ainda não seja o nível de aproximação necessário para a escola, os educandos, os professores, a gestão, a equipe e a comunidade escolar de modo geral.

A escola diante da forte incumbência a qual lhe é proposta precisa estar atentamente voltada às necessidades do seu alunado procurando ainda repercutir os anseios de sua comunidade escolar de modo a trazê-los à tona sobre a importância da participação de cada um de seus componentes rumo a uma educação mais significativa.

Torna-se imprescindível para o sucesso educacional neste novo milênio a busca por uma melhor relação Escola/Família/Família/ Escola, onde o maior beneficiado é o filho/educando.

A pesquisa de campo realizada na Escola Municipal Letícia Carneiro de Sousa, após quatro meses de intensa pesquisa teórica/prática nos trouxe inúmeros resultados dos quais pode-se caracterizá-los como positivos considerando-se nossa situação inicial. Conseguiu-se, após longo trabalho de pesquisa, discussões e debates, reestruturar o PPP e assim traçar, como ajuda da comunidade escolar e com os pais, o perfil de nossa escola de modo que se facilitaram os trabalhos da mesma.

Através das palestras, oficinas e das visitas domiciliares conseguimos chamar atenção dos pais para a necessidade de sua presença na vida escola de seus filhos. Como resultado a presença das famílias foi, sem dúvida, um dos grandes aliados neste processo sem o qual não teríamos conseguido realizar todas as atividades propostas no projeto.

A ideia do caderno de visitas também tem continuado e avançado com êxito, pois tem retribuído às participações das famílias na escola e servido como incentivo cada vez mais para a continuação dessa presença.

As discussões, debates e estudos realizados no decorrer desta pesquisa, também foram de grande valia, promoveram crescimento para a comunidade escolar em geral. A participação dos pais neste processo, sem dúvida, foi o grande motivador para a continuação e conclusão desta pesquisa. Através das discussões podem-se coletar novas opiniões e perceber um pouco mais como as famílias pensam e refletem o papel da escola, retomando com isto, nossas perspectivas pedagógicas e nosso trabalho na gestão.

REFERENCIAS

BRASIL: LDB: Diretrizes e Bases da Educação Nacional: Lei 9.394, de 1996. 2º ed. 2001.

LIBÂNEO, José Carlos: organização e gestão: teoria e pratica / ed. Alternativa. 2001.

PARO, Vitor Henrique. Gestão democrática da escola pública. 3ª Ed. São Paulo, SP: Editora Ática, 2001.

LUCK, Heloísa. (Et AL.). A escola Participativa: o trabalho do gestor escolar. Petrópolis, RJ: Vozes, 2005

DEMO, Pedro. Participação é conquista: noções de política social. 5ª Ed. São Paulo, SP: Cortez, 2001

BETTELHEIM, Bruno. Uma vida para seu filho: pais bons o bastante. São Paulo, SP: Campus, 1988.

[1] Estudos de casos brasileiros acerca da participação familiar/comunidade nas escolas: Tereza Benguela, de Cuiabá (MT) e Municipal de Iputinga, de Recife (PE). LUCK (et all), 2005.

 
 
 

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